quarta-feira, dezembro 29, 2010

Au revoir, mon cher 2010

Há dias penso que eu deveria escrever um post de final de ano. Já mencionei aqui como eu gosto dos rituais. Aniversário, Natal, Ano Novo... são pretextos, apenas pretextos, pra gente poder parar e pensar. Esquecer de tudo - trabalho, família, amigos, namorado.. enfim, parar e pensar em si. O que eu tenho feito da minha vida? Quem sou eu? ´Quem eu quero ser? Gosto dos rituais porque eles nos fazem criar consciência, e não apenas viver nessa "paulicéia desvairada" que costuma ser a vida do século XXI.
Gosto de enviar mensagens de Natal e receber respostas carinhosas e sinceras. Gosto de fazer os Amigos Secretos e ficar horas pensando em qual presente pode ser o ideal praquele amigo especial. Gosto de enfeitar a árvore de Natal, embora eu morra de preguiça de desmontá-la. Mas ela fica linda, com todos os enfeites brilhando e o os presentes ao pé, como se fosse um filme. Gosto das confraternizações, gosto de ver pessoas da minha família que não via há anos, de escolher uma roupa nova.. gosto até daquela tristezinha, quase que uma saudade antecipada do ano que está encerrando, aquela insegurança sobre o que será do novo, como se tudo mudasse a partir da meia noite do dia 31.

O ano ainda não acabou. E faço questão de pensar nos detalhes de mais um ritual - a roupa branca, a cor da calcinha (tá difícil, hein: amor, dinheiro ou  paz?), tentar não deixar pendências, pensar em tudo que não foi bom nesse ano que passou e jogar fora. Esquecer. Apagar. Concentrar o pensamento no que eu quero pro próximo ano e desejar com tanta força como se só o pensamento fosse suficiente.

Pequenas ilusões do dia a dia que são indispensáveis, sem as quais seria impossível viver.

2010, meu querido, Obrigada. Obrigada por ter trazido pessoas tão LYMDAS pra minha vida. Obrigada por ter me feito rir mais. Obrigada por ter me ensinado a dizer mais "Não." Obrigada pelos belos dias de sol. Obrigada pelas belas noites de risada. Obrigada pela emoção que eu sentia com cada aluno recitando um poema naquele Sarau. Obrigada por me dar paciência, quando eu achava que já não teria mais. Obrigada por ter me levado a Paris... como eu poderei esquecer? Ah, 2010... nem que se passem tantas e tantas décadas, será impossível esquecê-lo.


E que seu amigo, 2011, me surpreenda. Tenho lá os meus receios com anos ímpares. Mas prometo que vou ajudá-lo no que for preciso. Que nele eu possa desmontar a árvore de Natal. Aprender a dançar tango. Continuar minhas aulas de francês. Comprar um cachorro beagle que se chamará Quincas. Emagrecer 10 kg.  Consiga finalmente ler Grande Sertão: Veredas. Abraçar meus amigos pelo menos todo fim de semana. Rir ao menos uma vez por dia. Amar mais. Me apaixonar. Chorar de vez em quando também.. escrever mais nesse blog. E principalmente, que eu consiga não deixar nunca de sonhar, sonhar e sonhar......

terça-feira, dezembro 14, 2010

Sabe? A vida não é justa. Nem um pouco. Não há dúvidas.
Hoje, eu me levantei como em todos os outros dias para fazer o meu trabalho. Com a diferença de que levei tantas cacetadas que quase as consigo sentir fisicamente. Curioso como as maiores dores não deixam sequer uma marca física. E ainda não consegui chorar por elas. De raiva, de tristeza.. enfim.
Olhei para um colega e disse:
- Por que mulher é tão mais sentimental?
Ele me disse:
- Eu apenas sei disfarçar melhor.
Ele sabia o que eu estava sentindo. A vida não é justa. Mas não estamos sozinhos. E é por saber que existem pessoas que sabem o que estamos sentindo que a vida vale a pena.
Passei o dia todo assim, pensando. Com o choro entalado. Nada conseguia me animar. Nem mesmo o filé mignon com catupiry e bacon. Nem a os quizzes do facebook. Nem a possibilidade de ir ao shopping passear. Talvez porque eu precisasse passar por esse momento. Talvez porque eu precisasse pensar. Pensar no que ela me disse antes de partir: Estou compartilhando isso com você, porque vc ainda é a única aqui que é do bem. 


Talvez o lugar para as pessoas do bem seja bem pouco. O reconhecimento, menor ainda. Mas é bom saber que essas poucas pessoas ainda existem e estão perto de mim.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Travesseiro de ilusões.

Ela deitava a cabeça no travesseiro e tentava suprir o vazio com fantasias. Enquanto outras construiam castelos em cima de seus príncipes, ela tentava criar o seu príncipe. Ficava a imaginar como ele seria, como seriam juntos e onde ele estaria. Afinal, onde é o lugar ideal para encontrar o seu amor? Ela pensava, pensava e pensava. Parece que essa pergunta era impossível de responder. Ia a um lugar que era a sua cara. Tocava o tipo de música que gostava, tem o tipo de pessoas com quem é capaz de passar horas conversando. Fazia amigos, mas parecia impossível encontrar um amor.
A única coisa que tinha certeza é de a vida é ridiculamente irônica com aqueles que a tentam entender. Ou ainda, se assustava com a clareza com que via algumas respostas aos seus questionamentos. E tinha medo de encarar essas respostas, de incorporá-las ao seu modo de vida. Seria tão difícil passar a acreditar nisso... 
Voltava ao seu príncipe. Quem sabe se ela pensasse muito, ou se acreditasse muito, ele viesse a existir. 
Ela sabia que ele teria um sorriso encantador. Mais que isso, uma risada encantadora. Ela tinha certeza que eles saberiam rir um com o outro o tempo todo. E rir um do outro, principalmente. Ele não faria ar de entediado quando ela começasse a palestrar sobre o último livro que leu. Talvez ele pedisse emprestado, ou lhe contasse sobre o dele. Ele, com certeza, não é do tipo atlético. Nem arrumadinho. Nem engomadinho. Provavelmente, um cabelo despretencioso, um ar de desligado, uma cara de menino e ao mesmo tempo uma cabeça de homem! Uma leve pancinha inevitável. A pancinha resultado das tardes de cerveja, aquela pancinha que acomoda, que envolve o abraço. 
Eles vão sentar juntos em um bar, tomar cerveja, chamar os amigos, rir com eles, falar sério também.. ouvir uma boa música, com uma boa letra! Talvez ele tenha um pouco de vergonha quando ela se empolgar demais, (ela sempre se empolga) e no fim das contas, ele vai acabar rindo e continuando sem entender o porquê dela fazer tudo aquilo. Não vai ser sempre que ela vai achá-lo bonito. E vive versa. Mas que importa? 

Continuava construindo seus castelos, imaginando que conversas teriam.. de tempos em tempos, ria de si mesma por ser tão tola. Afinal, ela sabe que não é assim. Aquelas tais respostas não abandonam a sua mente. Ela sabe que é tudo bem diferente - e que talvez esse cara que ela idealiza exista sim. Mas está por aí com uma pseudo-modelo-pseudo-intelectual-pseudo-interessante com personalidade voluvel que tem pouca importância ante uma beleza monumental. Talvez ele exista e os dois sejam grandes amigos, mas jamais amantes. Talvez ela já tenha o conhecido. Talvez ela não seja afinal tão original.. e esteja só recriando histórias que já viveu. 

O que importa disso tudo é que o travesseiro não está vazio. Ele ainda tem alguns sonhos. Ela se agarra a eles com toda força, porque tem medo. Tem medo que eles um dia possar partir de vez.... 

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