quarta-feira, dezembro 29, 2010

Au revoir, mon cher 2010

Há dias penso que eu deveria escrever um post de final de ano. Já mencionei aqui como eu gosto dos rituais. Aniversário, Natal, Ano Novo... são pretextos, apenas pretextos, pra gente poder parar e pensar. Esquecer de tudo - trabalho, família, amigos, namorado.. enfim, parar e pensar em si. O que eu tenho feito da minha vida? Quem sou eu? ´Quem eu quero ser? Gosto dos rituais porque eles nos fazem criar consciência, e não apenas viver nessa "paulicéia desvairada" que costuma ser a vida do século XXI.
Gosto de enviar mensagens de Natal e receber respostas carinhosas e sinceras. Gosto de fazer os Amigos Secretos e ficar horas pensando em qual presente pode ser o ideal praquele amigo especial. Gosto de enfeitar a árvore de Natal, embora eu morra de preguiça de desmontá-la. Mas ela fica linda, com todos os enfeites brilhando e o os presentes ao pé, como se fosse um filme. Gosto das confraternizações, gosto de ver pessoas da minha família que não via há anos, de escolher uma roupa nova.. gosto até daquela tristezinha, quase que uma saudade antecipada do ano que está encerrando, aquela insegurança sobre o que será do novo, como se tudo mudasse a partir da meia noite do dia 31.

O ano ainda não acabou. E faço questão de pensar nos detalhes de mais um ritual - a roupa branca, a cor da calcinha (tá difícil, hein: amor, dinheiro ou  paz?), tentar não deixar pendências, pensar em tudo que não foi bom nesse ano que passou e jogar fora. Esquecer. Apagar. Concentrar o pensamento no que eu quero pro próximo ano e desejar com tanta força como se só o pensamento fosse suficiente.

Pequenas ilusões do dia a dia que são indispensáveis, sem as quais seria impossível viver.

2010, meu querido, Obrigada. Obrigada por ter trazido pessoas tão LYMDAS pra minha vida. Obrigada por ter me feito rir mais. Obrigada por ter me ensinado a dizer mais "Não." Obrigada pelos belos dias de sol. Obrigada pelas belas noites de risada. Obrigada pela emoção que eu sentia com cada aluno recitando um poema naquele Sarau. Obrigada por me dar paciência, quando eu achava que já não teria mais. Obrigada por ter me levado a Paris... como eu poderei esquecer? Ah, 2010... nem que se passem tantas e tantas décadas, será impossível esquecê-lo.


E que seu amigo, 2011, me surpreenda. Tenho lá os meus receios com anos ímpares. Mas prometo que vou ajudá-lo no que for preciso. Que nele eu possa desmontar a árvore de Natal. Aprender a dançar tango. Continuar minhas aulas de francês. Comprar um cachorro beagle que se chamará Quincas. Emagrecer 10 kg.  Consiga finalmente ler Grande Sertão: Veredas. Abraçar meus amigos pelo menos todo fim de semana. Rir ao menos uma vez por dia. Amar mais. Me apaixonar. Chorar de vez em quando também.. escrever mais nesse blog. E principalmente, que eu consiga não deixar nunca de sonhar, sonhar e sonhar......

terça-feira, dezembro 14, 2010

Sabe? A vida não é justa. Nem um pouco. Não há dúvidas.
Hoje, eu me levantei como em todos os outros dias para fazer o meu trabalho. Com a diferença de que levei tantas cacetadas que quase as consigo sentir fisicamente. Curioso como as maiores dores não deixam sequer uma marca física. E ainda não consegui chorar por elas. De raiva, de tristeza.. enfim.
Olhei para um colega e disse:
- Por que mulher é tão mais sentimental?
Ele me disse:
- Eu apenas sei disfarçar melhor.
Ele sabia o que eu estava sentindo. A vida não é justa. Mas não estamos sozinhos. E é por saber que existem pessoas que sabem o que estamos sentindo que a vida vale a pena.
Passei o dia todo assim, pensando. Com o choro entalado. Nada conseguia me animar. Nem mesmo o filé mignon com catupiry e bacon. Nem a os quizzes do facebook. Nem a possibilidade de ir ao shopping passear. Talvez porque eu precisasse passar por esse momento. Talvez porque eu precisasse pensar. Pensar no que ela me disse antes de partir: Estou compartilhando isso com você, porque vc ainda é a única aqui que é do bem. 


Talvez o lugar para as pessoas do bem seja bem pouco. O reconhecimento, menor ainda. Mas é bom saber que essas poucas pessoas ainda existem e estão perto de mim.

terça-feira, dezembro 07, 2010

Travesseiro de ilusões.

Ela deitava a cabeça no travesseiro e tentava suprir o vazio com fantasias. Enquanto outras construiam castelos em cima de seus príncipes, ela tentava criar o seu príncipe. Ficava a imaginar como ele seria, como seriam juntos e onde ele estaria. Afinal, onde é o lugar ideal para encontrar o seu amor? Ela pensava, pensava e pensava. Parece que essa pergunta era impossível de responder. Ia a um lugar que era a sua cara. Tocava o tipo de música que gostava, tem o tipo de pessoas com quem é capaz de passar horas conversando. Fazia amigos, mas parecia impossível encontrar um amor.
A única coisa que tinha certeza é de a vida é ridiculamente irônica com aqueles que a tentam entender. Ou ainda, se assustava com a clareza com que via algumas respostas aos seus questionamentos. E tinha medo de encarar essas respostas, de incorporá-las ao seu modo de vida. Seria tão difícil passar a acreditar nisso... 
Voltava ao seu príncipe. Quem sabe se ela pensasse muito, ou se acreditasse muito, ele viesse a existir. 
Ela sabia que ele teria um sorriso encantador. Mais que isso, uma risada encantadora. Ela tinha certeza que eles saberiam rir um com o outro o tempo todo. E rir um do outro, principalmente. Ele não faria ar de entediado quando ela começasse a palestrar sobre o último livro que leu. Talvez ele pedisse emprestado, ou lhe contasse sobre o dele. Ele, com certeza, não é do tipo atlético. Nem arrumadinho. Nem engomadinho. Provavelmente, um cabelo despretencioso, um ar de desligado, uma cara de menino e ao mesmo tempo uma cabeça de homem! Uma leve pancinha inevitável. A pancinha resultado das tardes de cerveja, aquela pancinha que acomoda, que envolve o abraço. 
Eles vão sentar juntos em um bar, tomar cerveja, chamar os amigos, rir com eles, falar sério também.. ouvir uma boa música, com uma boa letra! Talvez ele tenha um pouco de vergonha quando ela se empolgar demais, (ela sempre se empolga) e no fim das contas, ele vai acabar rindo e continuando sem entender o porquê dela fazer tudo aquilo. Não vai ser sempre que ela vai achá-lo bonito. E vive versa. Mas que importa? 

Continuava construindo seus castelos, imaginando que conversas teriam.. de tempos em tempos, ria de si mesma por ser tão tola. Afinal, ela sabe que não é assim. Aquelas tais respostas não abandonam a sua mente. Ela sabe que é tudo bem diferente - e que talvez esse cara que ela idealiza exista sim. Mas está por aí com uma pseudo-modelo-pseudo-intelectual-pseudo-interessante com personalidade voluvel que tem pouca importância ante uma beleza monumental. Talvez ele exista e os dois sejam grandes amigos, mas jamais amantes. Talvez ela já tenha o conhecido. Talvez ela não seja afinal tão original.. e esteja só recriando histórias que já viveu. 

O que importa disso tudo é que o travesseiro não está vazio. Ele ainda tem alguns sonhos. Ela se agarra a eles com toda força, porque tem medo. Tem medo que eles um dia possar partir de vez.... 

sábado, novembro 27, 2010

É outra realidade que é bem triste.

Está aí, em todos os noticiário, em todas as redes sociais. Fotos "chocantes". Camburões, exército, o BOPE. Parece que a Guerra agora está realmente com cara de Guerra. Sim, porque essa guerra sempre existiu, não sejamos inocentes de achar que não. Acontece que - aparentemente (logo explico o "aparentemente") - a coisa ficou feia e resolveram mostrar que sabem fazer alguma coisa.

Nessa história toda, quem mais me irrita é classe média. Da qual faço parte e assumo minha parcela de culpa. É a classe média que fica pedindo paz pelo twitter, mas que fala mal dos "mano" que ouvem música alta no ônibus. É a classe média que clama por igualdade social mas que acha um absurdo as cotas nas universidades públicas. É a classe média que diz que o governo faz pouco caso dos mais desfavorecidos, mas que insulta com belos palavrões aquele que rouba seu celular de última geração. A classe que reclama dos "nordestinos" que invadiram a cidade mas não se importa com estes que trabalham pra ela. A classe média que desenvolve projetos sociais e fuma maconha nas festinhas da faculdade.... este mesmo que fuma maconha é o que já disse em uma mesa de bar que acha que "policial é tudo filho da puta" mas nem mesmo sabe o que é pagar suas próprias contas. 

Já diria Cazuza: A burguesia fede! Enoja. 

Estão todos comovidos, choram. "Que horror! Quanta violência! Isso é um absurdo! Que triste..." Choram com uma hipocrisia ridícula e se vangloriam: "Agora sim, a policia está certa! Tem que matar! Bandido bom é bandido morto".  

O grande problema da classe média é achar que o problema da sociedade é o pobre. Não é. É ela mesma. É ela que acha que faz voto de protesto e elege o Tiririca. É ela que acha que os pobres não sabem votar. E estes realmente não sabem, pior são aqueles que estudam, tem algum conhecimento e mesmo assim não sabem. É ela que acha legal que o Brasil vai sediar a copa e as Olimpíadas.É ela que acha que é função do governo resolver os problemas. 

 Bem, quando assisti Tropa de Elite 2, uma das coisas que mais me chamou atenção foi a dualidade entre os personagens Fraga e Coronel Nascimento. Um idealista, outro realista. Um pelo intelecto, outro pela força. Um sonha, outro luta. E no fundo os dois tem uma semelhança gritante: querem mudar o país. Enquanto os dois se enfrentam, não chegam a lugar nenhum. Coronel Nacimento revela o desejo da classe média que se sente acudada: Matem os bandidos! bandido bom é bandido morto! - Fraga representa o desejo dos teóricos e intelectuais - Não adianta matar! É preciso transformar a sociedade! - Quem está certo? Os dois. E o filme nos mostra que os dois podem trabalhar juntos. Devem. Cada um fazendo a sua parte e um colaborando com o outro, mas não se enfrentando. 
Não dá para sermos tão realista quanto o herói Capitão Nascimento. Matar os bandidos não vai resolver. Ele mesmo percebe isso. E não dá pra ser um idealista politicamente correto como Fraga. E a suposta solução para os nossos problemas está ainda bem longe de ser realizada.  

Ótimo, Sue Ellen. Você falou, falou, e aí? Pra que? Pra dizer que não tem mais jeito? Talvez. 
Mas principalmente quero que as pessoas criem consciência de que podem matar todos os traficantes e bandidos possíveis. Eliminar um por um. Em pouquíssimo tempo, haverá outros. Haverá novos bandidos, porque enquanto houver pobreza, haverá bandidos. Enquanto houver uma desigualdade social gritante como é, novos bandidos surgirão, porque eles não tem outra escolha. E eles vão continuar sobrevivendo e ganhando dinheiro em cima do idiota que usa a mesada do pai para consumir droga. Ou do artista milionário que participa de eventos por um mundo melhor e "dá um tiro" antes de entrar no palco. Ele vai sobreviver porque a classe média o sustenta. 

E ainda diz depois: "Mas o governo....."

ps.: O aparentemente é devido ao sensacionalismo da mídia. Não sabemos até que ponto isso tudo não é um exagero ou a situação tá feia mesmo. É sempre bom ter cautela, mas é fato que não dá pra ignorar!

terça-feira, novembro 09, 2010

A respeito do ENEM.

Eu fiz o ENEM em 2003, obviamente, no formato antigo de 63 questões e uma redação dissertativa. Lembro-me bem que achei a prova fácil, hoje não vejo dessa forma. Não é que era fácil, é que ela não tinha o objetivo de excluir, eliminar ou classificar, o ENEM era o que todo exame deveria ser, algo que avalia o seus conhecimentos. Depois que me tornei professora, percebi que a teoria que norteava o ENEM era a melhor em termos de avaliação. Questões com pegadinhas, que cobram conhecimento conteudista, decorebas, formulas e etc, servem para eliminar candidatos quando se tem poucas vagas e não avaliam de fato pois envolvem N fatores - sorte, acaso, nervosismo, preparo, classe social..etc etc etc..

E agora, vejo o que fizeram com esse pontinho de esperança de uma mudança inteligente no processo seletivo das universidades: um belo balde de água fria. Comprovando aquilo que eu já sabia e me dói confirmar: ninguém leva a sério a educação nesse país.

Desde que anunciaram as mudanças eu já imaginei que daria merda (nessa situação, só mesmo um português bem chulo pra mostrar a real) a decisão é feita em um ano e neste mesmo ano decidem implantá-la, é lógico que daria merda. E foram inúmeros os problemas, a prova que "vazou" (desculpem, mas não colou essa história) a indefinição com relação aos vestibulares e a descrença das principais universidades do país que decidiram por não adotá-lo. A reposta do público foi genial: mais de 40% de abstenção!!! O número se justifica e é uma forma de protesto - como confiar em um processo totalmente falho?

Ok, primeiro ano, a gente releva.Mas falhas banais como erro de digitação em um processo de avaliação que mobiliza o país inteiro é inadmissível.Falta de informação por parte dos ficais ao lidar com algo que poderia ser facilmente resolvido é patético. E agora a anulação da prova torna tudo um belo circo. Nunca um vestibular foi cancelado nem qualquer outro processo avaliativo - Saresp, Prova Brasil e etc. E então, o principal exame é simplesmente anulado devido a incompetência dos organizadores, lamentável.

Foi-se a esperança. As grandes universidades terão que manter o seu modelo tradicional e excludente de avaliação. Os dados expostos pelo ENEM vão continuar mostrando uma realidade forjada, as pessoas continuarão descrentes com relação a esse país, e tudo continuará sendo motivo de piada. Bem vindos ao país da piada pronta.

Resta-nos esperar que haja o mínimo de respeito com os milhares de jovens que se mobilizaram para realizar o exame e que outra alternativa exista além da anulação. Mas se esta acontecer e houver uma nova prova, eu mesma aconselharei todos os meus alunos da seguinte forma: não façam! Mostrem sua indignação e não se submetam um processo avaliativo falso. Gostaria de ver qual seria a reação dos representantes do MEC com um nível de 100% de abstenção. Aí sim, seria preciso fazer alguma coisa. Pra valer e com seriedade.  

sábado, novembro 06, 2010

Um belo poema.

Chuva fria

Manhã de sábado
Acordo assustado
A noite havia acabado
E eu ainda estava ligado.
A noite que veio,
Tão calma, sem brisa
Levou, sem rodeio
A falta imprecisa.
Ainda me pergunto
Como ela chegou,
Quando menos esperava
A saudade voltou.
O que mais surpreendia
Não era a face sem rosto
Ou o olhar sem brilho,
Ela estava com a arma na mão
E o dedo no gatilho.
Antes mesmo de começar a correr,
Ouvi num tom mediano
As águas eram seus dedos
E os telhados seu enorme piano.
As notas bem feitas
Me deixavam intrigado,
E antes de cair desmaiado
Gritava exaltado:
Chuva gelada, diga-me agora, o que foi que fiz para deixar-te irritada.
Chuva gelada, diga-me agora, quando tentei interromper sua jornada.
Chuva gelada, faça-se agora, leve daqui a tristeza infiltrada.
Chuva gelada, conte-me agora, onde se esconde minha amada!



Gostou? Achou bonito? Eu também! 
Sabe quem escreveu?
Meu aluno: João Paulo, publicou em seu blog http://operacaorevolucao.blogspot.com/2010/11/chuva-fria.html 

Não é pra morrer de orgulho? =) 

terça-feira, novembro 02, 2010

Coisas que aprendi a apreciar com o tempo.

1. Silêncio: Melhor falar nada do que falar merda. Melhor ouvir nada do que ouvir merda. O Silêncio faz você conseguir ouvir sua própria voz, seus pensamentos, seus sentimentos. As pessoas tem medo do silêncio, se incomodam com ele. Deve ser por isso que eu adoro livrarias, elas são tão silenciosas. (e por isso uma das minhas músicas preferidas seja Enjoy the silence.)

2. Solidão: tem coisas que podem sim ser muito legais de se fazer. E é preciso aprender a fazer algumas coisas sozinha. Nascemos sozinhos e morremos sozinhos. É impossível ter sempre alguém pra fazer tudo o que você. Ninguém vive, morre ou aprende por você.  Gosto de fazer compras sozinha. Gosto de almoçar sozinha. Gosto de fazer trabalho sozinha. Gosto de dirigir sozinha. São momentos que eu fico pensando na vida, repassando todos meus afazeres, sonhando acordada. Ainda não fui ao cinema sozinha e ainda não viajei sozinha, mas são coisas que estão na minha lista para serem feitas! ;)

3. Cebola. Eu detestava quando era criança, hoje, eu gosto muito. Mas ainda não curto quando ela vem crua.

4. Cerveja. Eu era daquelas que dizia: "Credo, que amargo." Gostava das caipirinhas, bebidinhas com vodka e tal. E fui tentando. Um copinho aqui, uma latinha acolá. Você chega à faculdade e lá todos bebem cerveja e mais, por apenas 1 real a latinha. Beber cerveja é uma momento de socialização, diversão.. bem, resultado: hj em dia, naqueles dias de muito calor, eu só penso: ahhh, uma cervejinha!!!! - Para o azar do meu fígado e do meu peso, né? rs

5. Clarice Lispector: Não entedia nada do que essa mulher escrevia. Aliás, ainda não entendo. Mas afinal, "Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.."

6. o Não: É uma palavra libertadora. A partir do momento que aprende a dizê-la, torna-se mais feliz e mais livre.

7. o Egoísmo. Todo mundo vê com maus olhos o egoísmo e mal percebem que com isso estão sendo egoístas também. Afinal, quando você quer que a pessoa deixe de fazer o que ela quer pra fazer o que você quer, você é que está sendo egoísta, não é mesmo? Todos o somos. É preciso saber lidar com isso para não se tornar uma pessoa que se faz de vítima o tempo todo e nem uma que seja capacho de alguém. E então, vc se dá conta de como é bom alguns pequenos egoísmos da vida.

8. PT. Depois que passei a ter minha própria opinião política, e não só reproduzir o que eu ouvia por aí, percebi que ainda é o partido que propõe alguma esperança de que as coisas podem vir a ser diferentes.

9.Batom. Depois de muito tempo só usando gloss, começo a gostar da ideia de usar batom. Experimentei até um vermelho, vejam só. rs

10. Meus defeitos. É muito melhor quando você encara seus defeitos de frente e não tenta escondê-los. É impossível ser perfeito, algumas pessoas parecem ser, mas é tudo mentira. Um dia eles aparecem, e por quanto mais tempo você esconde, pior é quando eles aparecem. Conhecer seus próprios defeitos e lidar bem com eles é a melhor maneira para que os outros também aceitem o seus defeitos. E mais, é o caminho para você aceitar os dos outros.

domingo, outubro 24, 2010

Pendurei meu salto alto.

Depois de muito tempo sem ir a uma, resolvemos ir à balada. Os motivos que convenceram foram as entradas VIP's e o Open Bar de Stella Artois. E então, fomos. 
Definitivamente, esse mundo não me pertence mais. Já comentei isso por diversas vezes aqui no blog, não sei porque me esqueci dessa convicção. A música tão alta que não permite conversar, a falta de luz que confunde a visão e não permite distinguir bem as pessoas. As meninas com roupas mínimas, os rapazes todos iguais: com a mesma camisa pólo, com um número de um lado e uma bandeirinha e/ou desenho do outro. Todas com o mesmo corte de cabelo e mesmo tom de coloração. Entre eles, algumas pessoas... bem, perdidas? Será que seria esse o adjetivo ideal? Acho que sim! Perdidas. Não seguem o mesmo padrão que as demais, já não tem a mesma idade, parecem procurar suprir algo, com toque de maldade chamariamos de "tiazona". E eis que meu irmão solta: 

- Su, você tem só mais um ano, viu..
- QUE?
-É! Balada, no máximo até os 25. Você já é meio tia também. 

E então percebi o quanto eu estava perdida naquele ambiente. Não é o que eu gosto. Nem as músicas, nem as pessoas, nem a bebida cara, nada daquilo me agradava mais, estava lá nem sabia porquê. Perdida. 

Homens têm uma visão bem mais direta da realidade. As mulheres gostam de fantasiar, criar hipoteses, mil exceções para as regras. Eles não nos revelam sua verdade o tempo todo porque sabem que nós não queremos saber. Porém, quando você tem um irmão mais novo, ele simplesmente não vai ter esse pudor. Ele te fala mesmo, na lata, todas aquelas verdades que você conhece mas prefere não pensar nelas. 

A verdade do meu irmão de vinte e poucos anos, nesse caso, não foi nem um pouco dolorosa. Foi só uma constatação: Sim, estou tia para as baladas. Vou deixá-las para essa turma que vem por aí. Penduro meu salto alto, sem a menor dor no coração. Afinal de contas, desde os dezesseis  até os vinte e poucos, é muito tempo para aproveitar, não? E aproveitei. 

Não quero parecer como aquelas que eu chamei de "tia", procurando desesperadamente por um tempo que não volta mais. Não tenho vocação para Peter Pan. - Cada idade tem seu prazer e sua dor.. já diria a canção. 

Troco meu salto alto pela sapatilha, o escuro pelas meia luz, a longneck/drinks pela cerveja de garrafa, o camarote por uma mesa com os amigos, o xaveco furado e as conversas gritadas, pelas risadas dos papos filosóficos de mesa de bar, a dança "sensual" pela dança engraçada, a música alta pela melodia cantada por bandas. E tudo isso sem a menor dor no coração! 

O que me importa, do que não abro mão de forma alguma é da noite!! E essa, não vai me abandonar! 

sexta-feira, outubro 08, 2010

Vamos embora enquanto ainda está bom?

"A festa acabou. O povo sumiu. A noite esfriou. E agora, José?" 


Sabe quando você vai a uma festa super legal? Tudo dá certo, seus amigos estão animados, a música é boa, a bebida não é cara, as pessoas são bonitas e você está se divertindo um monte! Você pensa "Cara, essa é a melhor festa da minha vida!!!" e aí, já faz um bom tempo que vc está por lá, já poderia ir embora, ir pra casa com aquela sensação gostosa de ter se divertido muito e lembrar pra sempre como a melhor festa. Mas aí você decide ficar. Estava bom demais pra ir embora. Você quer ficar até o fim. Aí tem uma fila enorme para pagar no caixa, você vê o ex beijando outra, seu amigo vomita no carro, vc perde seu celular, começa a chorar, briga com seus amigos que até então estavam super animados, vai embora pensando " que bosta de festa". É impossível pensar em até quanto ela foi boa, porque o final vai ficar pra sempre na memória. E sabe por que isso aconteceu? Porque vc não soube a hora de parar.
Uma vez, uma amiga disse: "Vamos embora enquanto ainda está bom?" . E eu pensei: É esse o segredo. Saber a hora de parar.
A festa pode ser qualquer coisa na sua vida. Pode ser um relacionamento, pode ser um trabalho, pode ser uma faculdade, pode ser um projeto de vida, enfim.. é essencial saber a hora de parar. Mas a gente abusa das coisas, gasta-as até não poder mais vê-la e aí então começar a reclamar dela.
Vai a um restaurante, gosta dele. Vai sempre. Até enjoar e aí o restaurante já não é bom. Conhece um lugar, adora, vai pra lá todas as férias. Até perder a graça e então nunca mais querer voltar. Vive uma paixão de férias, ela poderia terminar ali com a separação física e para sempre vocês teriam aquela lembrança gostosa de uma paixão de férias, mas então decide transformá-la em relacionamentos, cobranças, inseguranças, ciúmes e põe fim ao que poderia ser uma doce lembrança. Esta passa a ser uma dolorida lembrança.
A hora de parar não é fácil de ser reconhecida. Ou melhor, não é fácil de ser admitida. No fundo, em algum lugar no nosso coração, a gente sabe que já está na hora de parar, mas insiste. Talvez por medo de ouvir a intuição, ou por medo em ter que começar do zero de novo, fazer novas escolhas, tentar, arriscar.
Pelo comodismo de não abandonar aquilo que parece seguro, que já é conhecido, insistimos e vamos até o fim. E o fim, quase sempre é merda.
Acabou sua faculdade? Chore na sua formatura, divirta-se, abrace seus amigos e parta pra nova fase que deve ir. Não continue a ir nas festas de república, não tente continuar fazendo a sua faculdade, ela não será mais a mesma, não procure a decepção, evite-a.
O namoro já não vai bem há tempos. Várias idas e vindas, não volte mais uma vez até a próxima ida. Cheguem a um acordo, terminem em paz, continuem amigos e não se odeiem. Há tantas pessoas no mundo, algo novo há de acontecer.
Pare enquanto ainda está bom. Não procure o sofrimento! Vá embora da festa enquanto ela está boa, conheça um novo lugar nas próximas férias, procure um novo emprego, mude de padaria. Permita-se sair da mesmice, a mudança é legal, o novo assusta mas é necessário.

Eu estou tentando aprender a hora de parar. Para evitar a dor.. para depois não reclamar que a vida é injusta comigo.É claro que existem surpresas, mas se já sabemos que algumas coisas vão dar errado no final e fazemos mesmo assim, a culpa é nossa. Se me chamam pra lugar que eu já "gastei'  e eu vou, estou pedindo para não me divertir. Se eu como o pratão de macarrão mesmo sem caber mais, bem feito se eu passar mal. Se eu acabar chorando depois de uma nova decepção, foi porque eu insisti em algo que já sabia que ia dar errado.

A vida não é tão complicada. As pessoas são complicadas. Basta parar de fazer drama, basta saber a hora de parar.

sexta-feira, outubro 01, 2010

Quanto vale o seu sonho?

Quando eu nasci, um anjo meio desastrado, desses que dormem no ponto disse: Vai, Sue Ellen, ser professora na vida.


É, eu acho que ser professora pra mim é mais do que uma escolha. É destino. Vocação. Desde pequena, eu já gostava de fingir que ensinava. Desde que pisei a primeira vez em uma sala de aula, não sai mais. E assim, creio que não foi por acaso que eu passei naquele vestibular de 2004 para um curso que na época eu nem sabia direito do que se tratava. 
Não foi pra ser professora que eu prestei Letras, mas com certeza,  o curso de Letras me fez professora. Quando comecei a estudar todas aquelas teorias de aquisição de linguagem, preconceito lingüístico, análise do discurso, autonomia, autoria.. enfim, percebi que eu queria SIM ensinar.
E cá estou, desde 2005, quando comecei com algumas substituições até hoje, que tenho minhas aulas e turmas. Eu já imaginava que não era uma escolha fácil. Nada é fácil, de fato. Mas quando se fala em Educação, no Brasil, a situação é bem complicada.
No ensino público, temos salas lotadas, professores mal pagos, falta de infra-estrutura. Além dos problemas sociais que envolvem a vida de cada um dos alunos que fazem parte da comunidade. No ensino particular, a queda da estrutura familiar, a falta de regras, objetivos, a obsessão com o mundo mercadológico, a obrigação dos vestibulares, a empresa que se confunde com a escola.
São inúmeros os desafios de quem tenta trabalhar pela educação, e quem convive com isso dia a dia, sabe melhor do que ninguém.
Então, por que será que tantos profissionais de tantas outras áreas que se acham expert em Educação? Ninguém leva a educação a sério, a ponto de nem mesmo compreender que existe um estudo, uma teoria, uma pesquisa, como acontece em outras áreas da ciência. Assim, médicos, advogados, engenheiros, empresários.. enfim! todo mundo sabe dar palpite em alguma coisa! E julgam falho todos os trabalhos feitos por aquele que "entendem" de Educação.
Eu jamais tentei dizer a um médico o que ele deve fazer, se ele está certo ou errado. Nem disse a um engenheiro que ele está usado o método errado, que é "papo furado" as teorias que ele defende. Mas eu já ouvi engenheiros tentarem me dizer o que era melhor fazer. E muitas vezes.
Isso é reflexo da completa desvalorização do profissional da educação. Ninguém mais confia no trabalho dele, questionam o seu conhecimento o tempo todo. Testam, provocam. A sociedade como um todo já não acredita mais na educação, e por isso, qualquer outra teoria pode ser melhor. Seja ela sugerida por um engenheiro ou por um açogueiro, afinal, qualquer um pode falar sobre Educação.
Acontece que eu não me formei em qualquer UNIESQUINA (obrigada, Stelinha, por essa expressão! ;) e quando eu falo sobre educação, EU SEI SIM, o que eu estou falando. E o que eu quero dizer é o seguinte: é impossível tratar pessoas como se fossem máquinas. Ter o melhor material didático do mundo, pode não fazer com que seu aluno aprenda. Ele pode ler toda a teoria do material X e você pode explicar tudo de acordo com o material, e ele entender bulhufas. De repente, você começa a contar uma história e tudo faz sentido pra ele.
Eu fiz Letras. Eu sou da áreas de Humanas e sou professora porque eu acredito nisso. Acredito que cada ser humano é único, cada um aprende de uma maneira diferente, e é impossível enquadrá-los numa única metodologia.
Se eu quisesse lidar com máquinas, faria qualquer outra coisa, não estaria na sala de aula. Metade do que te faz seguir em um trabalho e o dinheiro. Outra metade, satisfação pessoal. Quando o dinheiro não é lá muito, rs, é a satisfação pessoal que motiva. E é duro, quando você vê sua ideologia sendo massacrada por profissionais que nem mesmo entendem um pouco do dia a dia de uma sala de aula.Estou então vendendo tudo aquilo que aprendi e conquistei? 

Quer saber? Eu não vou mais me vender. Não mesmo.   

domingo, setembro 26, 2010

Se tem uma coisa que eu aprendi a valorizar é o tempo. Tão abstrato, tão ilusório e ao mesmo tempo tão essencial. O tempo é capaz de definir, apagar, fortalecer.. só o tempo é capaz de trazer as resposta pras nossas perguntas.
Por exemplo, eu não tenho melhores amigos de uma semana. Os meus melhores amigos são de longa data.. Tenho melhores amigos de quando eu estava na sexta série. Melhores amigos que compartilharam cinco anos de faculdade. Aqueles que chamo de melhores amigos são aqueles que conhecem tudo sobre mim, sabem como eu reagirei a cada situação, sabem o que eu mais amo, minha cor preferida ou que gosto e o que não gosto. E são esses que vão estar no altar do meu casamento (se eu me casar), são esses que vão estar nos meus aniversários - em presença ou em lembrança - são esses que vão se preocupar comigo caso eu fique doente, que vão me dar bronca sem dó quando eu fizer cagada e vão me dar colo quando eu chorar. Meus amigos não me dizem só o que eu quero ouvir, eles me dizem o que eu preciso saber. Eu sei exatamente quais são e só sei isso graças ao tempo.. ao querido e sábio tempo. 
Até ter essa certeza, já me decepcionei com amizades instantâneas, já me frustrei com pessoas dissimuladas, já briguei com falsos amigos que fingiam ser como aqueles que hj chamo de melhores. 

Essa lição que eu tomo tão bem para a amizade, agora faz parte do meu critério para um sentimento muito mais delicado chamado amor. Não tenho amores de fds. Nem amores de férias. Nem amores de internet. Muito menos (MUITO MESMO) amores de balada. Para eu acreditar que algo pode ser amor, é preciso muito mais. 
Aquele que te ama por um fds esquecerá de ti quando chegar a quarta feira e só lembrará no próximo fds. O seu amor de férias acabará junto com elas. Quem sabe em uma próxima ele reapareça.. com data marcada para terminar mais uma vez. Amores de balada acabam com o amanhecer do dia.. e amores de internet são fragéis como a conexão. De repente, não existem mais. Aqueles que dizem que amam de uma hora pra outra, também o deixaram de fazer assim que possível. Ou ainda, aqueles que dizem isso para vc e para outra pessoa, em algum momento ele terá de escolher uma só..  Se em meio a todas essas formas de amor podem existir exceções, não sou eu que vou pagar pra ver. O tempo que vivi até hoje me serviu para aprender. E aquele que aprende é comete erros novamente esse sim é que é o burro, e não aquele que não teve oportunidade de aprender. 

Amores que vêm rápido se vão rápido. Simplesmente porque ele não era forte o suficiente. Por isso que eu acredito naqueles grandes amigos que se tornaram namorados, nos casais que aprenderam a se amar dia após dia, como aconteceu com nossos avós, nos casais que vivem anos juntos e já conhecem cada expressão e cada reação um do outro. Esses sim vão viver senão para sempre, pelo menos por um bom tempo. Nesses amores existe muito mais que paixão. Não é nada místico ou cabalístico. É respeito, é carinho, amizade e lealdade. Só o tempo é capaz de solidificar esses sentimentos, enquanto a paixão é o primeiro a desaparecer com ele.. 

sábado, setembro 18, 2010

A Bela e a Fera.


Dos desenhos da Disney (aos quais eu já assisti um milhão de vezes) o "A Bela e a Fera" é o que eu acho mais bonito.. Primeiro porque ela é um princesa diferente das outras: a única que não é loira dos olhos claros! rsss Além disso, ela é mesmo diferente! Gosta de ler, não tem preocupações "fúteis" como bailes, beleza, príncipes bonitos.. aliás, não nasceu princesa,pelo contrário, ela tinha uma família simples e o príncipe dela não era um príncipe!! Era uma "Fera" amargurada que carregava o peso de uma maldição.. ao meu ver, a vida foi tão dura com ele, que ele não tinha mais esperanças.. e não foi amor à primeira vista, Ela APRENDEU a amá-lo e ele APRENDEU a amá-la, do jeito que eles eram,com todos os defeitos.. com todas as diferenças. Acho que é a mais bela metáfora pra expressar o poder dos bons sentimentos nas pessoas, ele não virou o príncipe com o beijo dela, mas com o amor..a partir do momento que ela passou a amá-lo ele deixou de ser um "fera" e passou a ser um príncipe! A transformação final é simbólica, já nem importa se ele se tornaria um príncipe, afinal, eles já se amam! Ele se transformar em príncipe, mostra o que ele era para ela, o seu príncipe ainda que não tenha a bela aparência. 
Cada vez eu tenho mais certeza de que o essencial é invísivel aos olhos! As pessoas são muito mais (ou muito menos) do que aquilo que elas aparentam ser. No mundo dos contos de fadas, sempre se tem um final feliz, na vida real não é bem assim, mas a partir do momento que passamos a enxergar além das aparências caminhamos para um fim quase feliz.. Beleza um dia acaba, nem todo sapo vira príncipe com um beijo, nem toda fera encontra sua Bela.. mas se ficarmos só naquilo que as pessoas querem ser e não no que ela são, nossos contos de fada vão virar piadas, como já vem acontecendo.. 
Eu prefiro continuar a sonhar

(Escrevi esse texto em 11/03/206.. e eu ainda não desisti de sonhar! ) 

sábado, agosto 21, 2010

Apaixonei-me. E foi assim.

Existem coisas que parecem não fazer parte do mundo real. Aliás, existem muitas coisas que são assim. Aquelas praias paradisíacas do Caribe, aqueles homens bonitos dos filmes de Holywood, aquele dinheiro todo que os artistas parecem ter.. Ou ainda, os postais clichês. Existem imagens que já vimos tanto, que parecem já tão batidas que por vezes até desconsideramos a possibilidade de vê-las "na vida real". E como é quando realmente a vemos?
É, eu nunca tinha me perguntado como seria... 
Não sei da onde e nem como me veio esse encanto com a França, particularmente, por Paris. Talvez tenha começado com as aulas de francês.Ou não.. enfim, o fato é que há anos se tornou um sonho conhecer a cidade luz. E era como eu disse acima, algo tão distante, tão irreal e tão clichê que era como se eu já conhecesse pelas fotos que via por aí...era como aqueles sonhos que a gente sonha tanto que parece que eles são impossíveis de realizar. Cada um tem o seu né? E não tem como explicar, eles surgem.. Você sabe como é realizar um sonho? já teve essa sensação?  Então, vou contar-lhes uma história!

"Era julho. Lá pra cima, no hemisfério norte fazia muito calor e uma longa viagem chegava ao fim. (Ou seria começo?) Português, espanhol, inglês e finalmente, francês!! Essa era a lingua que ela escutava pelas ruas sem ainda não conseguir entender muito bem, contentava-se em apenas apreciar a melodia e buscava algo que fosse familiar. As ruas, as casas, a língua, todas aquelas imagens não eram estranhas, ela já conhecia, de algum lugar, mas agora era tudo mais vivo, mais.. real. Ainda assim, a ficha não tinha caído por completo, era preciso uma coisa. E ela sabia qual coisa!  
Estava lá, estação Bir Hakein, Tour Eiffel - a cada estação que passava era aquela ansiedade por não saber em qual momento exatamente se encontrariam. E na hora que percebeu que o trem não passaria por debaixo da terra, virava o rosto de um lado a outro da janela procurando onde ela apareceria!
E lá estava, linda, grandiosa. Durou segundos a passagem do trem, essa foi a primeira de muitas vezes que elas se encontraram, a primeira de muitas vezes que ficou olhando fixamente para aquele postal, mas foi a primeira. E a primeira vez, a gente nunca esquece, não é mesmo?

E assim foi o começo de dias que se tornaram inesquecíveis... era difícil esconder a emoção a cada novo encontro, era difícil evitar parecer ridícula e deslumbrada. Ainda bem que os melhores momentos da vida são aqueles em que somos ridículos - nos quais abrimos mão da preocupação com o julgamento e fazemos aquilo que sentimos e nos faz bem. Sapateou junto com a amiga quando pisou de fato no Louvre. Veio até a garganta um grito quando viu a Monalisa. Quase torceu o pescoço de tanto que ficou ollhando pra cima, admirando a Notre Dame e quase matou as amigas de susto quando parou no meio das escadarias da Sacre coeur e disse: "Genteeeee... olha isso"!!! A vontade de expressar é grande, mas ninguém é capaz de entender o quanto ela imaginara um dia estar ali em cima, vendo toda a cidade, que segundo Eça de Queirós, era cinza. Não dava para explicar em palavras, talvez as lágrimas explicassem melhor.

E cada dia era uma nova descoberta, o Arco do Triunfo quando se perdeu no bairro da escola, caminhando na beira do Sena, um senhor que caminhava sem as calças (?), outro louco que decidiu atravessá-lo e quase morreu de susto quando tirava foto de um cemitério e um corvo a surpreendeu com um grito assustador.

No último dia, andou sozinha pela cidade. Foi se despedir de Paris...era impressionante como já andava pela cidade como se vivesse ali, com a diferença de que não conseguia ter a indiferença dos parisienses aos belos monumentos. Foi ao terraço do arco do triunfo e se pôs a imaginar quanta coisa já não aconteceu naquele lugar, a chegada das tropas de Napoleão por aquela avenida imensaaa, em como aqueles franceses são encanados com a simetria, todas as dozes ruas que partem do arco, iguaizinhas... o eixo histórico: de um lado, o louvre, do outro, o arco da Defense que é de uma arquitetura moderna destoante em uma cidade que parece ter parado no tempo. E lá longe, a torre... teve que ir vê-la de novo. Subir na torre nem foi uma das coisas mais legais que fez em Paris, mas ficar olhando para ela é incansável. Ficaram lá, as duas, ela agradecia a Deus pela oportunidade que ele lhe deu, agradecendo por essa cidade ser mto mais do que esperava, e por ter proporcionado esses dias incríveis e mágicos. De repente, sentiu o medo de tudo ser um sonho e acordar, ficou pensando em como seria agora voltar para a sua vida e, principalmente, quando teria de novo aquela vista incrível! 
Mas a despedida não estava completa, faltava o lugar preferido: o Sena. Olhando aquele rio, ficou lembrando de cada momento, tentando guardar o máximo que pudesse: o cheiro, as sensações, as lembranças, os rostos, as vozes...  
De repente, as luzes da cidade já estavam acesas, sentiu a brisa comum nas noites de verão e partiu. Um nó na garganta se formou. Assim como não saberia como seria quando chegasse, também desconhecia como seria partir. Sabe quando você acorda de um sonho bom antes dele terminar? A verdade é que os sonhos nunca terminam." 

E foi assim. Essa é a história do meu sonho, como se fosse possível traduzir em palavras tudo que eu senti. Me apaixonei. Eu sabia que isso aconteceria, me apaixonei por Paris cegamente, daquelas paixões que são capazes de cegar os defeitos. E como em todas as paixões, é difícil abandonar. E em como todas as paixões, sempre esperamos pelo reencontro!!! Voltarei, sem dúvida.. 



"Ela acreditava em anjos e, porque acreditava, eles existiam." (Clarice Lispector) 
















terça-feira, julho 06, 2010

"Há duas formas de levar a vida:

"Uma é acreditar que não existem milagres.
A outra, é acreditar que todas as coisas são um milagre." 






A primeira vez que eu assisti ao filme "Sociedade dos poetas mortos", eu adorei.Conheço pouquíssimas pessoas que gostam, elas costumam achar triste e monótono. Curiosamente, as pessoas que conheci e que gostam do filme tem alguma relação com "o mundo das letras". E mais que isso, tem que ter alguma relação com o mundo da sala de aula.
Ensinar literatura em um mundo onde as pessoas se preocupam com a utilidade das coisas, não é fácil. Convencer alguém a ler um livro trabalhoso, mas genial, como Guimaraes Rosa, ante a linguagem simples e história fácil de "Crepúsculo" é quase uma missão impossível. (quase)
É difícil falar de poesia, de sentimento.. quando poucos acreditam ainda no amor. Quando todos querem ganhar dinheiro. Quando as relações não duram, quando tudo é voltado para o interesse.

Dizer para que serve a matemática, a química, a física e até mesmo a gramática, é fácil. Mas é impossível dizer para que serve a literatura. Simplesmente, porque ela não precisa "servir" para nada. A literatura alimenta a alma.
Bem, e porque falei do filme "Sociedade dos poetas mortos"? Porque neste filme há um professor. De literatura. Ele começa a dar aula no colégio mais tradicional da cidade, deve formar os líderes do país - os pilares da instituição são Disciplina, Tradição, Honra e Excelência. E no primeiro dia de aula, ele convida seus alunos a rasgarem os livros e descobrirem o seu verso, descobrirem sua poesia. Ele diz:
"E medicina, advocacia, administração e engenharia, são objetivos nobres. Mas a poesia, o romance, o amor.. é para isso que vivemos."

É impossível viver sem paixão.

Perguntamos o tempo todo o que nossos jovens querem ser quando crescer. Incitamos a que prestem os vestibulares, procurem as melhores faculdades, escolham profissões que deem dinheiro. Jogamos-os nesse mundo competitivo e pedimos sempre que sejam os melhores.
E por que não pode haver entre os médicos, engenheiros e advogados, os poetas, os músicos, os artistas?

Me sinto um pouquinho como o Mr. Keating, tentando levar um pouco de paixão para a sala de aula. Não que lá ela não exista, existe. e muitooooo! Aliás, até transborda. Mas pouco se revela, não se mostra, se reprime entre o abismo que existe entre professores e alunos. E mais ainda entre a instituição escola e seus alunos.

Na minha escola, existem poetas. Talvez não escrevam seus próprios textos, mas o dizem como se o tivessem feito. Na minha escola, tem músicos, tem atores e atrizes, desenhistas, talvez até escultores, dançarinos e dançarinas.. Existem artistas dentro de cada um deles.

Não sei se eles sabem disso. Mas espero, de verdade, que descubram. Descubram o seu verso, a sua paixão e a sua poesia.
(vídeo do Sarau realizado no dia 29/06)

terça-feira, junho 22, 2010

Eu li!

Já postei em outros momentos aqui os blogs da minha turma de 8º ano, né? Pois então, o trabalho continua! Com a diferença que eu resolvi também postar sobre o livro!!! Eles já começaram faz um tempo, então eu estaria atrasada.. mas, vamos ver o que rola!!!

Eu só soube que daria aula para o 8º no começo do ano, então não participei da escolha dos livros, alguns deles são novidades pra mim, e um dos que foi novidade é esse que eles estão lendo agora: A droga da obediência! 

O começo do livro já chamou minha atenção: colégio elite. Por  que será que o autor escolheu justamente esse nome para o colégio. Não gosto da palavra elite - ela seleciona, segrega, separa. Parece um pouco esnobe também. Não sei se eu gostaria de trabalhar em um colégio que se chama Elite. A princípio, o colégio fictício parece ser bem legal, sem campainhas para separar as aulas, regras criadas pelos próprios alunos e estes a seguem a risca. Parece o ideal mesmo de colégio. Assim sendo, o ideal só pode se restringir a Elite? 
Filosofias a parte, continuemos com a história a qual parece ser empolgante - sempre gostei de histórias com clubes secretos, esconderijos e tudo mais. Acho que todo mundo já quis fazer parte de uma sociedade secreta. E então, lá estão eles, os Karas! Ao que parece, os melhores da escola é que fazem parte - Miguel, o líder, Calú, Magrí e Crânio. - todos foram convocados para um reunião importante no esconderijo secreto. Ou não tem secreto assim.. foram descobertos! Por um nanico engraçadinho nanico chamado Chumbinho! 
Depois de todo um plano mirabolante, Chumbinho conseguiu se infiltrar entre os Karas. É óbvio que eles detestaram a ideia, e já estavam pensando em como despistar o intrometido. Mal sabiam eles que o Chumbinho seria importante para o tema da reunião secreta: garotos começam a desaparecer em várias escolas. E o primeiro do Elite acabara de desaparecer, o Bronca, o qual, pelo visto, era o maior casca grossa da escola. 
Surpreendentemente, quem tem a primeira pista é o novo "membro" da sociedade secreta, Chumbinho conta ao grupo que algo de estranho acontecera com o Bronca, pois ele se negou a matar aula, dizia que era proibido, que ele devia obedecer. 

("Elementar, meu caro Watson", um menino desobediente, de repente, começa a desobedecer..o livro se chama A droga da obediência... será que só eu chego a algumas conclusões?) 

Encerra-se a reunião. Cada um com sua tarefa e Chumbinho orgulhosíssimo por agora fazer parte d'os Karas. A pergunta é: como eles farão para resolver esse problema?? 

(continua..)  

quinta-feira, junho 10, 2010

Vingt-neuf jours!

Donnez moi une suite au Ritz, je n'en veux pas ! 

Des bijoux de chez CHANEL, je n'en veux pas ! 
Donnez moi une limousine, j'en ferais quoi ? papalapapapala 
Offrez moi du personnel, j'en ferais quoi ? 
Un manoir a Neufchatel, ce n'est pas pour moi. 
Offrez moi la Tour Eiffel, j'en ferais quoi ? papalapapapala 


Je Veux d'l'amour, d'la joie, de la bonne humeur, ce n'est pas votre argent qui f'ra mon bonheur, moi j'veux crever la main sur le coeur papalapapapala allons ensemble, découvrir ma liberté, oubliez donc tous vos clichés, bienvenue dans ma réalité. 

J'en ai marre de vos bonnes manières, c'est trop pour moi ! 
Moi je mange avec les mains et j'suis comme ça ! 
J'parle fort et je suis franche, excusez moi ! 
Finie l'hypocrisie moi j'me casse de là ! 
J'en ai marre des langues de bois ! 
Regardez moi, toute manière j'vous en veux pas et j'suis comme çaaaaaaa (j'suis comme çaaa) papalapapapala 


Je Veux d'l'amour, d'la joie, de la bonne humeur, ce n'est pas votre argent qui f'ra mon bonheur, moi j'veux crever la main sur le coeur papalapapapala Allons ensemble découvrir ma liberté, oubliez donc tous vos clichés, bienvenue dans ma réalité ! 


(Zaz, Je veux) 


http://www.youtube.com/watch?v=9-5fcFEohLA



sexta-feira, junho 04, 2010

Fui comprada.

Quando acontecem esses momentos mágicos, não é possível resistir. Estava lá, entre todos aqueles livros, já com uns quatro na mão decidindo se levaria todos ou se escolheria apenas um.Difícil escolher entre tantas belas capas. Poderia ficar com algo certo: Clarice. Meu quarto livro já.. ok, melhor renovar: Quintana! Acho que estou precisando de um pouco de poesia. Depois me encantei com Ricardo Azevedo - novamente a capa, a capa de xilogravura. Queria todos, mas ele me escolheu. 
Estava lá, entre tantos outros livros, a capa na verdade não me chamou atenção, o que realmente chamou a atenção foi um nome - Mia Couto. E quem me comprou, não foi a capa.. mas sim, a contra-capa. Como eu disse, não é possível resistir a esses momentos mágicos. E quem resistiria? 

"-Tens medo de fazer amor comigo?
- Tenho- respondeu ele. 
- Por eu ser preta?
- Tu não és preta. 
-Aqui, sou. 
-Não, não é por seres preta que eu tenho medo 
- Tens medo que eu esteja doente...
- Sei prevenir-me 
-É porquê, então? 
- Tenho medo de não regressar. Não regressar de ti."

(Veneno de Deus, remédio do Diabo, Mia Couto) 

Comprei. Estou lendo. Quem sabe um dia, lhes conto essa história! ;) 

domingo, maio 30, 2010

Ela passou o olhar pelo ambiente procurando alguém interessante. Fazia sempre, há tempos nunca encontrava. Ou ainda, a paisagem era sempre a mesma, as pessoas que já conhecia e que até era interessantes, mas..
Olhou e se pôs a pensar em como seria cada uma delas, no que estariam pensando? Será que seria possível estar entre aquelas pessoas desconhecidas alguém que realmente pudesse fazer a diferença? Talvez não. Muito provavelmente não. Já conhecia esse ambiente, sabia que não passava de uma grande encenação: pessoas que fingem felicidade, pessoas que fingem ser melhores do que são - que têm mais dinheiro do que tem, mais bem sucedido e resolvidos do que realmente são.. uma grande ilusão. Perda de tempo. "Termine sua cerveja, divirta-se com suas amigas e fique feliz assim", pensou consigo mesma.
E antes mesmo que terminasse esse pensamento, ele apareceu. Um daqueles com quem tinha trocado olhares mas desistiu diante dos motivos já conhecidos. Estava ali, como em um passe de mágica, ou truque.. talvez até uma pegadinha. Mas de fato estava. E como em outro truque de repente estavam conversando como se conhecessem há anos, e ela falava compulsivamente até ser interrompida. Há tempos não era de fato surpreendida dessa forma. Parecia que estava enganada. Que realmente poderia encontrar alguém interessante, não parecia ser tudo uma grande encenação, parecia sincero, real.
Será que era aquele o sorriso que procurava? Será que o destino teria atraído para que se encontrassem ali naquele lugar, quando ela já estava tão sem esperanças?
Sentiu-se uma tola por deixar o pensamento voar tão longe e esforçou-se para manter os pés no chão. Mas permitiu-se ter uma pontinha de esperança. E esperou. Em vão...

Não era real, não era sincero. Era só mais uma belo truque do destino que se irrita quando parecemos espertinhos demais e capaz de compreender a tudo. Ele não quer que o compreendamos. Ele se irrita com isso.. e quando você acha que tem tudo sob controle - tcharam - ele vem e te mostra "Não.. não é como vc quer, e sim como eu quero". Então ele continua a brincar, tornando as situações inusitadas, fazendo tudo parecer coincidência ou acaso.

Ela estava cansada de tudo isso. Se pudesse, fugiria do destino, se isolaria. Não daria brechas para que ele a enganasse... mas será que era possível? Mais uma vez estava lá, fatos estranhos, reencontros, as tais mentiras sinceras.. tudo de novo, como sempre foi.. no mesmo teatro. Na mesma enganação.

Mais uma vez, ela sorriu. Fingiu não entender do que se tratava. Concordou, despediu-se e não quis pensar no assunto. Mas lá no fundo, em algum lugar.. a pergunta martelava: até quando?

quarta-feira, maio 12, 2010

Isn't it ironic?

Meu email para a comprafacil.com depois de inúmeras tentativas de entrar em contato com a empresa e nada...

Gostaria de agradecer pela incompetência do atendimento ao cliente dessa empresa, pois se não fosse este, eu teria cometido o engano gravíssimo de adquirir um produto nessa empresa. Cerca de quase cinco minutos no telefone, sem que um atendente viesse atender. Estou realmente satisfeita por NÃO ter efetuado a compra. Obrigada, Sue


e a resposta deles foi: 





Prezada Sue ,


Informamos que a razão de existir de nossa empresa é o cliente, por isso procuramos ouvir todas as reclamações, opiniões e sugestões de nossos clientes. São excelentes oportunidades de aprimorarmos nossos produtos e serviços. Encaminhamos seu e-mail ao nosso departamento responsável para que problemas como este não ocorram novamente.
caso necessite de mais informações, entre em contato conosco.
Atenciosamente,
Atendimento Comprafacil.com

AHAM, CLAUDIA, SENTA LÁ... 

domingo, maio 02, 2010

Sem título

Uma típica manhã de outono. Essa estação tão rara aqui nesse país tropical, onde tudo se mistura e acontece ao mesmo tempo. Mas essa manhã, era de outono. Aquele friozinho que fez me enrolar mais no cobertor e apertar bem os olhos para chamar o sono de volta e os raios de sol que entravam pelas frestas da janela.
Não havia mais sono, aproveitei aquela sensação boa de poder ficar na cama apenas pensando na vida, sem nenhum compromisso lhe puxando, gritando, urgindo "Vamos, você vai perder o horário". Aproveitar a preguiça sem culpa, aproveitar o momento de despertar. 
Só isso já seria suficiente, mas especialmente nessa manhã preguiçosa de outono, o despertar foi agradável como há tempos não era. As lembranças do dia anterior que vinham aos poucos a memória me faziam abrir aquele sorriso involuntário, que muitas vezes te faz passar vergonha quando aparece em meio às outras pessoas, aquele sorriso que, quando surge, parece imperceptível de tão espontâneo que é. 
Então me pus a repassar todos os fatos, as coisas engraçadas (porque não, hilárias!!) que ouvi, as coincidências (destino, ironia...?), os abraços que troquei, as saudades supridas, as palavras, os olhares, o telefonema de far far way carregado de saudades.... Tentando fixa-los para não perdê-los. Como se a cada vez que eu lembrasse eles continuassem a existir. E me permitir sorrir, despretensiosamente, sem testemunhas, respirando aquela coisa boa que inundava o pensamento Enfim, senti-me satisfeita das lembranças, de ter errado quando achava que não deveria ter saído e feliz por existir algo maior, mais coerente, que põe por terra todas as minhas lógicas "cheias de razão". Ainda bem!

quinta-feira, abril 29, 2010

Síndrome dos vinte e tantos anos


Não fui eu que escrevi, mas sabe quando você lê um texto e pensa: Caraca, eu poderia ter escrito isso!! Não tenho vinte e tantos.. tenho vinte e poucos..hehe (vinte e três para ser mais exata) E agora pensei: se a síndrome veio antes será que ela termina antes também? hahaha A verdade é que estou curtindo meu momento véia!! =) 


Ah! Só acho que o final piegas ficou muito nada a ver... mas enfim, o texto é bom! 


A chamam de 'crise do quarto de vida'. Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos. Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc..
E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um pouco. As multidões já não são 'tão divertidas'. E às vezes até lhe incomodam. E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.
Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo. Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você. Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.
Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal. Ou, talvez, à noite você se lembre e se pergunte porque não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor. Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar. Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida... ou não pode se convencer de que é hora de assumir esse amor.
Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido.. Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário. Olha para o seu trabalho e, talvez, não esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo.
Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo. Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer. Suas opiniões se tornam mais fortes. Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é..
Às vezes, você se sente genial e invencível, outras... Apenas com medo e confuso(a). De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando. Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro... E com construir uma vida para você. E enquanto ganhar à carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse texto nos identificamos com ele.
Todos nós que temos 'vinte e tantos' e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes. Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça... Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos... Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro.
Parece que foi ontem que tínhamos 16... Então, amanhã teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?! Façamos valer nosso tempo, as pessoas, o trabalho, nossa família, os amores! Que eles não passem!
Afinal, a vida não se mede pelas vezes que você respira, mas sim por aqueles momentos que lhe deixam sem fôlego...
Autor desconhecido

domingo, abril 25, 2010

Alma


Os dias de neve sempre são mais atraentes. O cenário incrivelmente branco, cobrindo as ruas e casas parece esconder muito mais que os telhados. Escondem vidas, histórias, mistérios. Alma gostava dos dias de neve, apesar do frio convidar a ficar dentro de nossas casas, quando não se tem exatamente uma casa, o melhor é sair pelas ruas, sentindo os flocos de neve caindo sobre a cabeça, em busca de algo inusitado, que torne aquele dia diferente.
Caminhando pelas ruas, um muro chama a sua atenção. De quem seriam todos aqueles nomes? Mônica, Maria, Rosa.. onde estariam essas crianças? "Sim, devem ser crianças" - Alma pensava consigo. E sentiu uma vontade incontrolável de também gravar seu nome, de estar perto daquelas crianças. Então, com o pedacinho de giz que encontrou, escreveu a única palavra que sabia, seu nome: Alma.
Satisfeita com o feito, algo fez com que olhasse para trás, era como se precisasse encontrá-la, estava lá, esperando-a, uma boneca igualzinha a ela: o gorro, o colete cor de rosa, os cabelos curtos e os olhos verdes. Por um instante achou que fosse um espelho, mas ela não se mexia, não piscava. Olhou-se novamente para conferir a semelhança e novamente voltou o olhar para a vitrine E como em um passe de mágica, a boneca havia desaparecido.
Num impulso, Alma tenta abrir a porta. Impossível, estava trancada. Quando ela teria a oportunidade novamente de ter uma boneca igual a ela? O sonho de toda menina estava ali, ao seu alcance. Decepcionada e irritada, arremessa uma bola de neve no vidro que as separa. Como se dessa forma, a porta desistisse e resolvesse abrir...
Sem sucesso, a menina segue cabisbaixa até que algo interrompe sua tristeza - o barulho da porta, abrindo lentamente, como um convite que ela seria incapaz de recusar.
Lá estava, sobre a mesa de centro.Em meio a tantas outras bonecas que não tinham a menor importância, lá estava ela e como era bonita! O entusiasmo era tanto para alcançá-la que mal percebeu o obstáculo no caminho. Tropeçou em um brinquedo - um boneco pálido sobre um triciclo. Agachou para ajudá-lo e o pôs de pé, em um instante o brinquedo percorria a sala, em direção a porta, como se quisesse fugir.Alma achou graça da tentativa de fuga daquele boneco feio e por um momento se distraiu do seu objetivo. Uma sala cheia de bonecos seria uma distração para qualquer criança, mas Alma só tinha olhos para ela, a sua boneca que agora, misteriosamente, estava em uma estante com muitas outras bonecas, todas ímpares e singulares.
Cuidadosamente, subiu pelo sofá para alcançá-la, estavam cada vez mais próximas uma da outra. Tirou a luva para que pudesse senti-la melhor, tocá-la e segurá-la de forma a não perdê-la mais. Esticou bem os pequenos braços e fez um esforço imenso para manter-se na ponta dos pés. Não poderia desistir agora que estava tão perto.
Tocou-a. Nesse instante, uma confusão enorme se fez presente. Uma escuridão repentina e de repente, sentiu-se presa. Sufocada. Em pânico, sem entender o que se passava, percebeu que olhava por um vidro, podia ver, ouvir, sentir, mas não podia se mexer, nem gritar, nem correr. Como todas aquelas bonecas que lhe faziam companhia naquela prateleira. E de lá, pôde ver a próxima vítima, a boneca de uma menina ruiva, com um vestido vermelho de flores amarelas.


Assista: http://www.youtube.com/watch?v=63fwk_pQFIE

sexta-feira, abril 16, 2010

É assim. Um dia você está como em todos outros, as pessoas que você conhece são as mesmas, assim como as coisas que você faz. Você nunca sabe quando isso pode mudar. Mas muda. E tudo acontece "de repente, não mais que de repente"....
E foi assim. De repente, estavamos todos na mesa do Cidão rindo muito. De repente, nasceu o churrasco na praça. E de repente, surge o Devaneios. E o CPJ. E vem mais um e outro, lá do sertão Paulista, vem o Pardal.. quietinho, na dele, com frases certas, no momento certo. E também o Lu, o oposto.. irreverente, descontraído, falante (e falante, e falante..rss) E a amiga do amigo se junta a turma, Ziza! Que abraça o CPJ, abraça as bagunças, os sonhos e também a "realidade". E de repente... não mais que de repente: pessoas que até então eram desconhecidas, tornam-se indispensáveis. Insubstiuíveis
Antes, desconhecidos. Hoje, amigos. Grandes amigos. Companheiros de trabalho, de festas, de ócio, de vida.
Tudo de repente, não mais que de repente.

E da mesma forma que sem que a gente entenda como a vida une as pessoas, ela separa. E cada um segue seu rumo, busca o que é melhor pra si. Tenta o novo, faz da vida.."uma aventura errante" E quem fica.. bem, não sei se todos, mas eu sinto como se um pedacinho de mim estivesse indo junto. E eu espero que realmente esteja, para que eu algum lugar, possamos estar todos sempre juntos.
(vou sentir saudade disso tudo) 


"De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente."


quinta-feira, abril 08, 2010

Correção

Bem, diante das reinvidicações, cá estou para me retificar. Disse no último post "meus adoráveis adolescentes de 13 a 17 anos" #fail, na verdade, vários alunos do 8ºB têm 12!! E como alguns do terceiro devem estar em vias dos 18.. melhor deixarmos as margens de erro para mais ao invés de para menos né? - Então tá, meus adoráveis adolescentes de 12 a 18 anos!!! =)

Temos um novo blog: http://homensdospelossedosos.blogspot.com/
e dois links estavam dando erro, então aí vai de novo:
http://g4sdiary.blogspot.com/
http://livrosdeportugues.blogspot.com/

Certo? Algo mais?

segunda-feira, abril 05, 2010

Blogueiros prodígios

Sempre é um dilema para mim como fazer avaliação de livros. Por vários motivos. Primeiro, porque eu sou contra a você ter que ler um livro só pra fazer uma prova, por exemplo. Poxa, o povo já não gosta muito de ler, sobre o terrorismo de uma prova então, por mais que o livro seja legal, eles sempre vão odiar (entenda por "eles" os meus adoráveis adolescentes de 13 a 17 anos) Segundo, se eu crio outra possibilidade, como trabalhos, sempre tem o malandro que vai na onda do nerd que leu o livro ou então aquele que só lê o resumo e JURA que eu não vou perceber que ele só leu o resumo (aqueles resumos cheios de erros que existem na internet...) Confesso que a experiência com trabalhos é pelo menos mais interessante do que as provas, os trabalhos são ao menos divertidos.
Pensando nesse grande dilema da minha vida severina, sempre pensei que a melhor solução seria um diário de leitura. Seria o ideal, afinal, o acompanhamento continuo faria com que não houvesse escapatória, os maladrinhos teria que ler e sempre registrar sobre o que leram. 
Pois bem, aspirante a blogueira que sou, foi o que fiz, agora, minha sétima série tem blogs! Sim, blogs! Por enquanto, quatro, mas ainda faltam dois! Cada grupo criou um blog e lá eles registram a leitura.. fazem breve resumos, escrevem coisas aleatórias, reclamam de ter que fazer um blog, dizem se o livro é legal ou chato, enfim.. fazem lá um diário de leitura no meio que mais faz parte da vida deles: a  internet. 
Os mais ingênuos podem pensar: "Nossa, eles devem ter adorado!". Não, eles não adoraram. Afinal, vcs já viram adolescentes gostarem de alguma coisa? hehe O fato é que eu ADOREI!! Me diverti agora lendo os posts, ainda são poucos, mas acho que vai ser legal! Estão bem espontâneos, divertidos, é como se eles não fossem ser avaliados, eu sou só uma leitora!!! 
Espero que eles se divirtam também! e aí, vai o link, para que os parcos leitores desse blog possam ver como essa galera se aventura como blogueiros: 

g4sdiary.blogspot.com (galerinha tá animada pra escrever aqui..já tem vários posts) 
thedarknessofhell.blogspot.com (sim, é esse mesmo o nome #medo) 
pudimtoread.blogspot.com (adorei o Pudim! haha) 

Assim que tiver os outros, eu divulgo também! =) 

Prestigiem!!!  

domingo, abril 04, 2010

Um feriado.

Quinta-feira, feriado. Acordar cedo, ir para Campinas. Uma hora de espera no consultório. Trânsito. Mais espera. Senha, leva a guia, paga exame, mais espera. Volta para casa com fome, mais espera. Espera, espera e não chega o almoço.Trabalho. Sim, trabalho na parte da tarde. Volta a pé para casa. De sandália. Combinado: noite com as amigas. Ou não, ou sim, ou não, ou sim. Ou não. Uma volta pela metrópole tão mal movimentada. 
Despertador: 4h. Tocou, acordei. Não acordei, volta a dormir.. perdi a caminhada. 
Lado positivo(?): arrumei meu quarto. Almoço em família - comida, comida e mais comida! Risadas, besteiras, saudades!! Outro lado positivo de não ter ido a caminhada: aproveitar esse momento.. ou quase,telefonema, mudança de planos, fazem os planos, te incluem e vc só os cumpre. Mais uma vez (a terceira da semana) rumo a Campinas. Chuva. O que a saudade não nos obriga a fazer? Chuva e mais chuva. Pizza e vinho. Chuva. Tequila. Chuva. Caipirinha. Chuva. Acampamento com as amigas. Não, a dadisse falou mais alto. Mudança de planos de novo, às 2h da manhã, com chuva. Acorda a mãe, carrega colchão, improvisa colchão. A experiência de dormir com apenas edredons no chão não é lá muito agradável. Detesto dormir mal. E ainda mais, acordar com o telefone. Chuva, chuva e chuva.. ainda bem que um bom almoço e as boas amigas são capazes de amenizar um mau humor. Despedida.. detesto despedida. Reencontro Bons reencontros. Tensão. Um pouco de mágoa? Talvez, mas se as pessoas pensam sempre nelas, eu também posso pensar em mim. E tudo que eu queria era dormir na minha cama, acordar na minha casa, ficar de pijama e fazer minhas coisas. E fiz. Compreensão e companheirismo? Fácil cobrar dos outros, sendo que falha também nesses aspectos.. principalmente no companheirismo. Enfim, sensação estranha ao fim desses quatro dias. Paradoxal.. os acontecimentos continuam iguais, quem mudou fui eu, antes tolerava muito mais, hoje em dia, não consigo mais. Projeto para evitar o câncer, enfim. 
E assim foi o feriado, como esse texto. Turbulento, confuso, sem coerência. 

segunda-feira, março 08, 2010

Tempero de vó, não tem igual.


(Aniversário de 77 anos, 29/10/2009)
Algumas vezes aqui já homenageei algumas umas mulheres em especial, e depois desse último fim de semana, eu devo fazer uma homenagem a ela.

Seu nome é Isabel Francisca dos Santos, esse ano completa seus 78 anos e uma memória que é de dar inveja às mocinhas de vinte e cinco. Lembra-se da data de aniversário de todos os seus nove filhos, seus dezessete netos e da sua bisneta. Além dos seus irmãos, tios, primos e etc. Nordestina de Pernambuco, onde se casou, viveu, teve seus filhos e jamais esqueceu... Sempre que possível, arruma suas malinhas, embarca em um avião para o Norte, como ela mesma diz. Quem a vê em seu pouco mais que um metro e meio de altura não acredita na força e na fé que ali existem.Força de uma mãe que criou nove filhos em uma realidade bem diferente da de hoje.. quando o mundo era machista, quando o marido nem sequer lhe permitia que cortasse o cabelo, em uma sociedade que não lhe permitiu estudar. Força de uma mulher que perdeu o marido, mas que seguiu em frente, sempre com fé na vida, em Deus, nas pessoas e na família, principalmente na família. Força de uma avó daquelas que preparam o almoço de domingo com todo cuidado... o feijão de corda de um, a carne de carneiro de outro, o frango assado daquele ali, o macarrão para aquele outro, o caldinho, a carninha, a farofa.. ahh, a farofa! a farofa que nenhuma das filhas consegue fazer igual. E que nenhuma das netas também conseguirá fazer. 
Nesse domingo, quando me sentei a mesa.. aquela mesma mesa..que é o cenário de muitos momentos da minha infância - páscoa, natal, aniversário de criança- vi aquela mesa com um monte de panelas e vários tipos de comida, sentei e observei o prato da minha priminha de quatro anos. Exatamente vinte anos mais nova que eu. Ela pegou uma colherada do pirão e disse: "Hum mãe, eu adoro isso aqui". Olhei meu prato, vi lá, o mesmo pirão, o gosto que eu conheço há tantos anos e pensei "eu também adoro isso aqui.." E adoro porque me lembra dessa velhinha que eu amo tanto. Velhinha com quem muitas vezes eu dou mancada e ela com todo carinho diz: "Que bom que vcs tão aqui, fazia tempo que vcs não vinham almoçar comigo" E adoro saber que ela está bem, forte, saudável, cheia de histórias, de lembranças e com o mesmo coração enorme de sempre, que acolhe a todos, mesmo com todos os defeitos e diferenças. 
É, dona Izabel, tempero de vó não tem igual. E amor também não. 

Às mulheres

Mais uma vez, fiquei muito tempo sem postar, não é mesmo? Pensei em escrever um post especial, mas decidi roubar as palavras do poeta. Não qualquer poeta, mas um poeta que admirava as mulheres! Disse certa vez: Que mais detesto: viagens/Gente fiteira, facistas,/Racistas, homem avarento/Ou grosseiro com a mulher.
As coisas que mais gosto:/ Mulher, mulher e mulher/(Com prioridade a minha)... 

Receita de mulher
As muito feias que me perdoem
Mas beleza é fundamental. É preciso
Que haja qualquer coisa de flor em tudo isso
Qualquer coisa de dança,
qualquer coisa de haute couture
Em tudo isso (ou então
Que a mulher se socialize
elegantemente em azul,
como na República Popular Chinesa).
Não há meio-termo possível. É preciso
Que tudo isso seja belo. É preciso
que súbito tenha-se a
impressão de ver uma
garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só
encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas
que se reflita e desabroche
No olhar dos homens. É preciso,
é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado. É preciso que
umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como no âmbar de uma tarde. Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas. Nádegas é importantíssimo. Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente. Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas,
e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras:
uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes. Indispensável.
Que haja uma hipótese de barriguinha, e em seguida
A mulher se alteie em cálice, e que seus seios
Sejam uma expressão greco-romana, mas que gótica ou barroca
E possam iluminar o escuro com uma capacidade mínima de cinco velas.
Sobremodo pertinaz é estarem a caveira e a coluna vertebral
Levemente à mostra; e que exista um grande latifúndio dorsal!
Os membros que terminem como hastes, mas que haja um certo volume de coxas
E que elas sejam lisas, lisas como a pétala e cobertas de suavíssima penugem
No entanto, sensível à carícia em sentido contrário.
É aconselhável na axila uma doce relva com aroma próprio
Apenas sensível (um mínimo de produtos farmacêuticos!).
Preferíveis sem dúvida os pescoços longos
De forma que a cabeça dê por vezes a impressão
De nada ter a ver com o corpo, e a mulher não lembre
Flores sem mistério. Pés e mãos devem conter elementos góticos
Discretos. A pele deve ser frescas nas mãos, nos braços, no dorso, e na face
Mas que as concavidades e reentrâncias tenham uma temperatura nunca inferior
A 37 graus centígrados, podendo eventualmente provocar queimaduras
Do primeiro grau. Os olhos, que sejam de preferência grandes
E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e
Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão
Que é preciso ultrapassar. Que a mulher seja em princípio alta
Ou, caso baixa, que tenha a atitude mental dos altos píncaros.
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas. Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida. Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.



Feliz dia das mulheres!!! 

domingo, fevereiro 07, 2010

pensamentos soltos

Sinto falta de alguém que nem conheço.
Sinto falta de um sentimentos que nem ao menos sei como é.
Sinto falta de algo que ainda nem aconteceu, que custo a acreditar que existe.

Domingo. Mais um domingo. O último de férias.. mas como todos os outros domingos, carregado de uma preguiça sem fim. Uma antecipação do cansaço que virá com a semana, sendo ela de trabalho ou não. Não sei porque, mas os domingos parecem por si só já serem depressivos. Acordar tarde, dormir cedo - mesmo que sem sono - pensamentos a cerca do fim de semana. Pensamentos sobre a semana que vem por aí. Parece que depois do domingo tudo vai ser diferente... "vou começar a dieta", "vou ler mais", "vou fazer mais exercícios", "vou resolver as minhas pendências.." - e na verdade, tudo continua como antes, só carrega a ilusão de que algo será diferente.
Sinto-me amarrada a uma realidade. A consciência de que as mudanças que tanto quero estão nas minhas mãos não é suficiente para que elas aconteçam...
O que fazer? Mudar de cidade? De identidade? De vida?
Não aguento mais a mesma paisagem dos últimos dez anos. Sempre as mesmas pessoas circulando pelas ruas... AS MESMAS.. é impressionante como essa cidade não muda. As pessoas vêm e vão, mas são sempre as mesmas. É como se fosse um ciclo, no qual vc está sempre destinado a encontrar as mesmas pessoas.
Cansada das mesmas histórias, da rotina. De trabalhar muito, gostar do trabalho, mas não ver mais pra onde ir, crescer. Mestrado? Pós? Concurso público?
Cansada desse vazio que nunca se preenche. Dessa ânsia por algo desconhecido. Farta dos fantasmas que rondam a mente.. dos medos já conhecidos, da falta de esperança.. da frieza que cresce a cada dia.
As mesmas histórias, os mesmos finais.. e por que não? os mesmos personagens.. definitivamente..aqui não é o meu lugar.
E então? Onde é?

(...)

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Privilège e Zapata

Duas baladas opostas. Uma enorme, dizem que é uma das maiores da..da.... (ah, não me lembro) a outra quase passa despercebida, praticamente uma portinha. A Privilège com filas imensas, tops Dj's, promoters à la Ibiza. Zapata com músicas alternativas, ritmos latinos, funk, reaggeton, pouca fila e também sem muita divulgação. A primeira, nada mais nada menos do que 70,00 de entrada com míseros 30 de consumação, a outra, 20,00 reais de entrada. Enfim, duas baladas extremamente diferentes na mesma rua praticamente, mostrando como em Búzios é possível encontrar lugares para todos os gostos e estilos. Mas vamos uma a uma então... 

Privilège 
Eu achava que a Pachá fosse a balada mais procurada lá em Búzios, mas acho que ela anda meio em baixa, afinal, o que todo mundo comentava era essa tal de Privilège. A primeira vez que tentamos ir, chegamos era mais de meia noite e o valor era apenas 60,00 reais para entrar e mostrar um belo sorriso. Obviamente, não entramos. #nãoaceito 
Lá mesmo descobrimos que o esquema é chegar mais cedo e pegar os convites de consumação. Com ou sem convites a fila é sempre imensa! Pois então, um dia decidimos conhecer a "famosa" e fizemos como foi informado, chegamos mais cedo, pegamos o convite de consumação que era 70,00 com apenas 30 de consumação. Como eu disse, as filas são imensas, não sei quanto tempo ficamos, mas foi bastante. Sem contar os engraçadinhos que sempre querem cortar filas né.. 
(Fingindo felicidade na fila! kkkkk) 

Ao entrar, prepare-se: todas as bebidas são muito caras. O bom é que a cerveja é Heineken. Mas uma dose de tequila, por exemplo, custa 20,00. #tenso 
Não tem como negar, o lugar é realmente bonito. Os Dj's são bons e pra quem gosta de música eletrônica dá pra curtir legal. Mas como estou ficando velha, me irrito um pouco com lugares muito cheios!!  Fila pra entrar, fila no bar, fila no banheiro.. cansa né? Em todo caso, acho que vale a pena conhecer. Mas uma única vez, foi mais que suficiente! 
Zapata

Como vcs podem ver a fachada, o lugar é bem mais "humirde" . Confesso que na primeira vez que tentamos ir eu não botei muita fé. Pensem comigo, você observa a divulgação e o Dj que vai se apresentar é o Dj Jamanta. (OI?) Nós pensavamos que seria a noite latina, mas não, a propaganda do hostel falava sobre a programação normal da balada, sendo que no período de reveillon era tudo diferente. Enfim, por Deus, não fomos no dia do DJ Jamanta, voltamos em uma noite aleatória: uma segunda-feira, nossa despedida.

Pelo que percebi, o Zapata não é uma balada "modinha", ela abre independentemente das temporadas (o que não acontece com as outras) e tem um estilo mais alternativo mesmo. A entrada era de R$20 para mulher. (até rolou uma ameaça de que depois da meia noite aumentaria o preço mas era mentira..rs) Não acho barato, mas perto do que tínhamos... e as bebidas tb não são tão caras. (A tequila caiu de 20,00 para 12,00 reais) o ruim é que não existe comanda, vc tem que ir ao caixa toda vez que pede algo. 

(Nenhuma de nós é melhor que todas nós juntas) 

É meio difícil ser parcial sobre essa noite porque o conta é sempre a galera né? Era nossa última noite em Búzios, o lema era "cabácumtudo" então nos divertimos muito! Não estava cheio, mas as músicas eram legais, sem tumulto, sem filas. Enfim, gostei! :) 
Saímos de lá e essa era a vista

O legal de Búzios é isso, tem de tudo. Pra todos os gostos! E que é eclético, se diverte mais! :) 
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